STF recusa prorrogação da CPMI do INSS e encerra investigação que mirou Master e expôs Moraes



O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (26/3) recusar o pedido de prorrogação da CPMI do INSS, comissão do Congresso que investiga fraudes no pagamento de aposentadorias e pensões e tem prazo final neste sábado (28/3).

Parlamentares favoráveis à continuidade da comissão tentaram estender seu funcionamento na Corte após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), barrar a prorrogação.

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O encerramento da CPMI ocorre após a comissão receber material sigiloso da investigação do Banco Master e esse conteúdo ser vazado para a imprensa, expondo supostos contatos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades, incluindo parlamentares e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Apesar do foco no INSS, a CPMI acabou entrando no escândalo do Banco Master, com o argumento de apurar irregularidades em empréstimos consignados para aposentados. O banco foi liquidado em novembro e seu dono, Vorcaro, está preso negociando um acordo de delação premiada.

As fraudes do INSS e do Master são investigadas pela Polícia Federal, em inquéritos relatados no STF pelo ministro André Mendonça. Na segunda-feira, ele aceitou pedido para prorrogar a CPMI.

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No entanto, o caso foi levado ao plenário nesta quinta-feira. Votaram contra a prorrogação os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o presidente da Corte, Edson Fachin. Apenas Luiz Fux apoiou a decisão de Mendonça.

A maioria dos ministros entendeu que a decisão de prorrogar ou não a CPMI é uma questão interna do Congresso Nacional.

Além disso, ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes criticaram o "desvio de finalidade" da CPMI, citando o vazamento de conteúdos sigilosos e decisões que quebraram em bloco o sigilo bancário de variados investigados, entre eles um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha".

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"É deplorável que quebrem sigilo e divulguem, vazem. É criminoso", disse Mendes.

O STF, em diversas ocasiões, já determinou a instalação de comissão parlamentares de inquérito quando houve resistências do comando do Congresso em autorizar o início das investigações, mesmo havendo apoio do número suficiente de parlamentares. Isso ocorreu, por exemplo, na instalação da CPI da Covid-19.

Os ministros consideraram, porém, que não há obrigação de prorrogação da comissão.

A exposição de ministros do STF no caso Master

Alexandre de Moraes passou a ser alvo de críticas e questionamentos no final de 2025, quando o jornal O Globo revelou que o escritório Barci de Moraes, de sua esposa Viviane Barci, teria um contrato com o Banco Master prevendo pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, no valor total de R$ 129 milhões.

O casal ficou ainda mais acuado no início de março, quando o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso e vieram à tona supostos novos indícios de contato entre o ministro e o banqueiro.

Segundo informações vazadas do inquérito que apura as fraudes bilionárias no banco, Vorcaro e Moraes teriam se encontrado em algumas ocasiões entre 2025. As menções a esses encontros aparecem em mensagens trocadas pelo banqueiro com sua então namorada, extraídas do celular de Vorcaro pela investigação e compartilhadas com a CPMI do INSS.

Além disso, segundo reportagens do jornal O Globo, a Polícia Federal teria conseguido recuperar mensagens enviadas pelo investigado ao ministro em 17 de novembro, dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez.

O ministro negou ter recebido as mensagens, argumentando que uma perícia feita pela área técnica do STF do material vazado da investigação teria comprovado que o destinatário não seria ele.

O jornal O Globo, por sua vez, publicou outra reportagem refutando a alegação do ministro, em que diz que as informações repassadas à CPMI não são as mesmas às quais o jornal teve acesso.

Foi nesse contexto que o escritório Barci de Moraes divulgou uma nota detalhando o trabalho prestado para o Banco Master. Advogados ouvidos pela BBC News Brasil, no entanto, avaliam que as atividades detalhadas na nota não justificariam um contrato de R$ 129 milhões.

Além de Moraes, o ministro Dias Toffoli também sofreu desgaste por supostas conexões com o banco Master e teve que deixar a relatoria da investigação sobre as fraudes do banco após uma reunião conduzida por Fachin com todos os ministros do STF. Depois disso, o caso foi sorteado para o gabinete de Mendonça.

Seu afastamento ocorreu após ser revelado que um fundo ligado ao Master comprou parte de um resort no Paraná que pertencia a uma empresa de Toffoli e dois irmãos do ministro.

(BBC)




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