Carreata saiu da praça da Bandeira e seguiu até o prédio do prefeito de Belo Horizonte
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Centenas de carros se concentraram na manhã deste domingo, na Praça do Papa, em Belo Horizonte, durante um protesto contra o fechamento do comércio da cidade, que foi determinado pelo prefeito Alexandre Kalil, desde o último dia 6, na tentativa de conter o avanço do coronavírus na capital mineira.
Os veículos estavam decorados com a bandeira do Brasil e em alguns havia cartazes com palavras de ordem como “SOS Trabalho”, “Fora Kalil”, “100% Bolsonaro” e “Tratamento precoce já”.
Dentro dos carros, algumas pessoas usavam máscaras, outras não. Por volta das 10h30, os manifestantes saíram em carreata, fazendo buzinaço. Eles desceram a avenida Afonso Pena, passaram pela avenida do Contorno até chegarem na porta do prédio do prefeito, na Praça Marília de Dirceu, no bairro de Lourdes, na região Centro-Sul.
De acordo com a presidente do Movimento Conservadores em Ação, Raquel Morato, de 41 anos, uma das organizadoras do protesto, a mobilização foi feita pelas redes sociais. “Estamos aqui pela liberdade de trabalhar, de ir e vir, de fazer exercícios físicos nas praças que estão fechadas. Os médicos dizem que precisamos de vitamina D em nosso corpo. Como vamos conseguir vitamina D, se estamos presos dentro de casa. Defendemos também o direito ao tratamento inicial contra a Covid-19”, disse.
Raquel também contesta o fechamento das padarias e supermercados aos domingos, medida determina por Kalil que começou a vigorar neste domingo (28). “Não adianta nada fazer isso. No sábado, as pessoas se aglomeraram muito mais dentro desses estabelecimento. Isso é ilógico”, afirma.
O comerciante José Antônio do Nascimento, de 57 anos, dono de um escritório de advocacia na capital mineira, relata que já teve um enorme prejuízo durante a pandemia por causa do fechamento da cidade. “Já deixei de ganhar mais de R$ 300 mil esse ano, fechei dois escritórios e demiti 11 funcionários. Hoje faz exatamente um ano que estamos nas ruas protestando contra as atitudes do Kalil. Somos a favor do trabalho, da abertura das escolas, da nossa liberdade de ir e vir”, disse.
A dona de um salão no bairro de Lourdes, Stefânia Perocini, de 49 anos, também acompanhou a carreata. Para ela, o sentimento de ter que manter o seu comércio fechado é de revolta. “É revoltante a gente que trabalha honestamente ser penalizado pelos erros dos outros, que fazem festas, se aglomeraram e não tem fiscalização. Sempre atendi as pessoas no meu salão com horário marcado, sem aglomeração e com cadeiras para ter distanciamento entre os clientes. Tive que demitir cinco funcionários. Não estamos conseguindo pagar nossos impostos. A situação está muito complicada e estamos pensando até em fechar”, conta.
(O Tempo)
