CPI da Covid-19 decidirá sobre 188 convocações pendentes e fala em prender depoentes



Senadores interrogam Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, e analisam convocações de novas testemunhas, entre elas os ministros Paulo Guedes e Luiz Eduardo Ramos

 

CPI da Covid entra na quarta semana de depoimentos no Senado. A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, é a próxima testemunha a ser ouvida  e seu depoimento está marcado para terça-feira (25), às 9h.

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Conhecida como "capitã cloroquina", a servidora é a segunda testemunha que irá depor na comissão protegida por um habeas corpus, assim como ocorreu com o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Na sexta-feira, 20, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu parcialmente o pedido da secretária para reconsiderar a decisão que negou a ela o direito de ficar em silêncio da CPI da Covid.

Em despacho, Lewandowski autorizou apenas que ela deixe de responder perguntas relacionadas a fatos ocorridos entre dezembro ano passado e janeiro deste ano, quando estourou a crise de desabastecimento de oxigênio hospitalar em Manaus. 

Outro tema que deverá ser abordado no depoimento de Pinheiro é o aplicativo TrateCov. O aplicativo recomendava o uso de antibióticos, cloroquina, ivermectina e outros fármacos para náusea e diarreia ou para sintomas de uma ressaca, como fadiga e dor de cabeça, inclusive para bebês. No depoimento de Pazuello, na quarta-feira passada, o ex-ministro atribuiu à secretária a iniciativa do TrateCov, que foi retirado do ar.

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Esta semana os senadores também avaliam 188 requerimentos de convocação de testemunhas, provenientes de 343 pedidos pendentes de apreciação que se acumulavam até sexta-feira, 21. A votação dos requerimentos deve ser realizada na quarta-feira desta semana, que devem nortear os próximos passos da investigação.

Entre os 188 pedidos de convocação pendentes, há requerimentos para nove ministros do presidente Jair Bolsonaro: Paulo Guedes (Economia), Walter Braga Netto (Defesa e ex-Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil e ex-Secretaria de Governo), Carlos Alberto Franco França (Relações Exteriores), Anderson Torres (Justiça), Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações), Flávia Arruda (Secretaria de Governo), Damares Regina Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Marcelo Queiroga (Saúde), que já depôs à CPI, mas pode ser reconvocado. O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, é chamado a depor como convidado.

Novo alvo

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Senadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid querem convocar o advogado Arthur Weintraub, ex-assessor da Presidência da República, para prestar esclarecimentos sobre a e.

Em discurso de agosto de 2020 no Palácio do Planalto e em lives nas redes sociais, Weintraub deu indicações de que pode ter coordenado o grupo, que teria influenciado decisões do governo no combate à doença. Os vídeos foram reunidos e divulgados neste sábado (22) pelo portal Metrópoles.

Os requerimentos de convocação foram protocolados pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Humberto Costa (PT-PE). Como o advogado mora hoje nos Estados Unidos, onde atua como representante do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), o depoimento poderá ser feito por videoconferência. A convocação ainda precisa ser aprovada pela comissão.

Relatório da CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid deve apresentar nas próximas semanas a primeira versão do relatório que trará as principais conclusões do colegiado. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do grupo, a quem cabe redigir o documento, afirmou que já existem provas da responsabilidade do governo federal em episódios que considera falhas no enfrentamento da pandemia no País, como no atraso para aquisição de vacinas e na crise de falta de oxigênio no Amazonas.

Desde sua instalação, no dia 29 de abril, a CPI já ouviu sete depoimentos, incluindo todos os quatro titulares do Ministério da Saúde desde que a pandemia foi decretada, em março passado. A comissão também já havia recebido até ontem mais de 300 documentos com informações de órgãos como o Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, governos estaduais, além do próprio governo federal.

(exame)

 



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