Senado aprova recondução de Augusto Aras para a PGR



Procurador-geral da República permanecerá no cargo por mais dois anos. Plenário do Senado aprovou indicação por 55 votos a 10, além de uma abstenção

 

O plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (24/8), a renovação do mandato como procurador-geral da República de Augusto Aras, que ficará no cargo por mais dois anos. A recondução de Aras para o posto foi aprovada com os votos favoráveis de 55 senadores. Outros 10 parlamentares votaram contra a indicação e um se absteve.

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Aras não encontrou grandes resistências entre os senadores para conseguir a aprovação do seu nome. Na sabatina à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, também nesta terça, Aras agradou os parlamentares ao criticar a atuação das antigas forças-tarefas, sobretudo da Lava Jato.

“As forças-tarefas como modelo de investigação e de acusação geraram disfuncionalidades a partir da pessoalização, o que gerou distorções, gerou uma certa criminalização da política para manter permanentemente os alvos em estado de atenção”, criticou Aras.

Ele mencionou que a instituição de Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) deu mais credibilidade à atuação do Ministério Público Federal (MPF) diante desses delitos.

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“Hoje, nós temos os Gaecos não só estruturados e organizados, mas com recursos financeiros submetidos à prestação de contas. Isso é bom para os colegas que trabalham investigando, isso é bom para o cidadão investigado, porque cria um sistema de responsabilidade e acaba com o personalismo”, ressaltou.

Omissão diante de Bolsonaro

O PGR ainda se eximiu das acusações de que tem sido leniente diante de processos relacionados ao presidente Jair Bolsonaro ou a pessoas próximas a ele. De acordo com Aras, o procurador-geral não pode interferir no meio político.

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“A eficiência na atuação do PGR não deve ser mensurada por proselitismos ideológicos, operações policiais espetaculosas ou embates na arena política. Cabe ao PGR ficar adstrito ao discurso jurídico, manifestando-se nos autos, conduzindo investigações com rigor técnico, cumprindo a lei, que assim o determina”, declarou.

Aras também disse que “o Ministério Público vai cumprindo a sua função, mas ele não pode substituir esta Casa (o Senado) na fiscalização do Poder Executivo, no exercício, seja do governo, seja do Estado”. “O Ministério Público não é do governo, não é da Oposição, ele é do Estado, mas é constitucional”, comentou.

“Nós não podemos interferir nas competências desta Casa, do Congresso Nacional, porque as competências maiores de edição de leis e de fiscalização dos poderes são desta Casa. Eu não posso ser o censor, eu só posso ser o fiscal de condutas ilícitas”, acrescentou Aras.

Críticas a atos antidemocráticos

O procurador-geral da República ainda respondeu sobre o inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura a produção de notícias falsas e ofensas contra ministros da Corte, que já levou à prisão o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ).

Aras disse que, em um primeiro momento, se colocou contra as prisões que foram decretadas pelo relator do inquérito, ministro Alexandre de Moraes, por entender que o direito à liberdade de expressão e de imunidade parlamentar dos envolvidos deveria ser respeitado. Contudo, ele ponderou que as pessoas detidas ameaçaram o magistrado e o próprio STF, o que é um risco.

“No momento posterior da prisão, tanto do Daniel Silveira, quanto do Roberto Jefferson, houve ameaças reais aos ministros do Supremo. A liberdade de expressão não estaria contemplada propriamente na fake news, mas a ameaça direta e frontal já não poderia ser ignorada.”

Ele lamentou que o país esteja vivenciando “uma extrema polarização de toda a sociedade brasileira”, que é “permanente e gravíssima para o país, para as instituições democráticas e para todos”.

“As instituições estão funcionando normalmente. Isso não significa dizer que não vivamos um clima de polarização extremamente danosa à democracia. A polarização é o pior veneno para a democracia. Porque, na polarização, um procurador como eu, que tem compromisso com esta Casa, de cumprir a Constituição, não agrada nem ao governo, nem agrada à oposição. A ele é imputada a omissão, quando ele só age com cautela e cuidado para não passar do limite”, lamentou.

(correio braziliense)



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