Deputado levanta suspeitas de que empresa estaria ‘mamando dinheiro público’ com a Expovel



Delegado Camargo lembra que a empresa foi reativada em 30/05, e que depois houve alterações contratuais

 

O deputado Delegado Camargo revelou o que pode ser uma suposta bandalheira existente por trás da Expovel. Em discurso na sessão extraordinária da Assembleia Legislativa em Machadinho, o parlamentar disse que faria uma denúncia em alto em bom tom contra a Associação dos Produtores de Eventos de Rondônia (Aperon), responsável pela Expovel.

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Delegado Camargo disse que sequer sabia que tal associação existia, já que ela foi reativada no dia 30 de maio deste ano e teve posteriores alterações contratuais. “Me levantou sérias dúvidas, se essas alterações já não foram feitas de caso pensado, para literalmente mamar nos cofres públicos com a realização da Expovel”, citou.

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Em seu discurso, o deputado Delegado Camargo levantou a lebre

O parlamentar prosseguiu o discurso explicando que “essa Aperon, de forma sorrateira, vil, desprezível e repugnante, após encher os seus cofres com milhões de dinheiro do povo, para então supostamente cobrir as despesas da Expovel investiu contra o Estado de Direito e contra esse Parlamento”.

Ele especificou que, “com a intenção de calar o povo rondoniense e impedir que o povo faça críticas, a atitude dessa empresa privada configurou uma das mais abjetas que já presenciei”. A Aperon tentou impedir que o gabinete móvel do parlamentar fosse instalado no parque.

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O dono da empresa que faz a Expovel é conhecido como Edu Show. Ele é de Ariquemes, e no passado teria sido sócio do deputado Alex Redano (Republicanos), que tem base eleitoral em Ariquemes. Antes de ser político, Redano trabalhava com a realização de eventos.

O deputado Alex Redano e Edu Show teriam sido sócios do passado

O deputado Delegado Camargo levantou a lebre, ao citar a suspeita de que as alterações contratuais na empresa podem ter sido feitas de caso pensado, visando “mamar dinheiro público” durante a Expovel. Resta saber se Edu Show tem cacife para receber tanto dinheiro público ou se existe algum sócio oculto, algum figurão lhe dando suporte.

O secretário da Sejucel, Junior Lopes, ainda não veio a público dizer quanto o Governo do Estado repassou para a empresa. Os repasses, somados, podem ultrapassar os R$ 10 milhões. A atuação do Ministério Público é importante, pois os recursos repassados foram carimbados.

A empresa deveria alugar, por exemplo, 580 climatizadores evaporativos, a um preço de R$ 550,00 cada um. Quem foi até a Expovel diz que lá não há nem 100 aparelhos desse. Em Porto Velho não haveria tal quantidade colocada à disposição para aluguel.

Essa fiscalização aparentemente não pode ficar a cargo da Sejucel e de Junior Lopes, já que a Expovel pode ser considerada uma bagunça, tendo merecido até que o Ministério Público ingressasse com ação judicial devido a problemas com a segurança na festa. Junior Lopes tem demonstrado não entender muito de organização.

O blog teve a informação de que Edu Show sempre trabalhou direito, e que teria ficado abalado com o que está acontecendo na Expovel, tanto que teria passado mal, sendo submetido a atendimento médico.

É o momento de o Ministério Público conversar com ele. Se existe algum sócio oculto, alguém com cacife para conseguir milhões de dinheiro do povo, Edu Show certamente contará quem é. Considerada sua profissão, para o deputado Delegado Camargo ter suspeitado de que pode haver gente “mamando dinheiro público”, é capaz que tenha caroço nesse angu.

A própria Polícia Federal foi fotografada na Expovel, e aparentemente os policiais não estavam a passeio. Um deles segurava uma prancheta, onde eram feitas anotações.

A exposição está uma vergonha, devido à falta de organização. Muitos dos que vão até lá se sentem como patos a serem depenados. Além dos jogos de azar, os preços estão exorbitantes. Uma garrafinha de água mineral chega a custar R$ 8,00, e uma latinha de refrigerante, R$ 10,00.

Há reclamação de gente que foi até a Expovel levando refrigerantes de casa e foi impedida de entrar pelos seguranças. Apesar de receber milhões em dinheiro público, a empresa teria cobrado preços exorbitantes dos expositores, por isso precisaria impedir que o público entre com refrigerantes. Tem que comprar lá.

Os seguranças podem ser truculentos, mas não são burros. Eles sabem com quem podem implicar

Provavelmente atitudes assim levaram a empresa a tentar proibir a presença do gabinete itinerante do deputado Delegado Camargo. Nesse caso não conseguiram, porque os seguranças contratados pela empresa podem ser truculentos, mas não são burros. Não se atreveram a meter a cara com o delegado.

Ir ao gabinete do deputado Alex Redano parece ser mais fácil do que tentar reclamar com os seguranças despreparados. É só ir com o Redano e pedir para ele conversar com o Edu Show. Pela fotografia é possível perceber que eles são muito próximos.

Quanto ao MP, seria bom levar em consideração as informações de que Edu Show sempre foi gente boa, sempre trabalhou direito e provavelmente está assustado com o que está acontecendo. Aparentemente ele não esperava tal repercussão, por não ter experiência em trabalhar com um volume tão grande de dinheiro vindo dos cofres públicos. É só apertar um pouco em relação à existência ou não de um sócio oculto.

Além da vasta experiência do deputado Delegado Camargo em investigação, na equipe de gabinete dele há policiais e delegado da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Por isso mesmo, dificilmente o discurso dele não estaria no rumo certo. É só apertar que o passarinho canta.

(blogentrelinhas)



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