A corrupção atinge qualquer regime político e faz parte da história da humanidade. Porém, é muito pior nas ditaduras, porque a sujeira é jogada para debaixo do tapete, impedindo a sociedade de tomar conhecimento dos fatos e a verdade quase nunca aflora. Nos regimes democráticos, contudo, a corrupção chega à tona, nem sempre na sua dimensão real, mas, pelo menos, é possível seguir as suas pegadas, mapear a rota do dinheiro, identificar eventuais culpados e, destarte, evitar que o vírus invada por inteiro o tecido social.
No Brasil, a corrupção, além de preocupar, assusta, principalmente porque ela vem se tornando compulsiva. E, o que é pior, as punições nem sempre correspondem à dimensão dos escândalos praticados, sobretudo porque muitos se consideram intocáveis. A sanção penal e política, quase sempre demorada e tímida, não atemoriza; pelo contrário, acaba estimulando novas investidas, dificultando ainda mais a contenção da prática viciosa. É por isso que, a cada semana, explode um escândalo de corrupção.
Autoridades das mais diferentes esferas de poder, políticos e empresários aparecem chafurdando na pocilga do Banco Master, cuja roubalheira, em termos numéricos, supera o escândalo da Petrobrás, evidenciando que ninguém mais teme ser apanhado com a mão no erário. Muitos, inclusive, sem nenhum pudor, exibem os instrumentos usados durante a pilhagem. São considerados, aceitos ou reconhecidos como ladrões. Mas isso não importa, pois estão aí, livres, leves e soltos, circulando pelas ruas do Brasil e do mundo, tranquilamente, conscientes de que jamais serão incomodados, sempre prontos para novas investidas, pois quanto mais roubam mais querem roubar.