Câmara dobra pena para casos de desvio de verbas da pandemia



 

Projeto apresentado no início da calamidade pública, foi votado e aprovado em Plenário nesta terça-feira (1º/9)

 

A Câmara dos Deputados aprovou em Plenário, por 421 a 64, o Projeto de Lei (PL) 1485/20 — que dobra penas aplicadas aos agentes públicos envolvidos em casos de corrupção que retirem recursos destinados ao enfrentamento à pandemia. O PL agora deve ser analisado pelo Senado.

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Entre os crimes que devem ter a pena máxima duplicada estão associação criminosa, emprego irregular de verbas públicas e corrupção passiva. O texto também multiplica por dois a pena de reclusão prevista para quem cometer crime de corrupção ativa — quando alguém oferece propina a um funcionário público — sempre que o objetivo for desviar verba que deveria ser usada no combate ao estado de calamidade pública.

Por fim, o projeto altera a Lei de Licitações para duplicar também as penalidades impostas a quem adulterar processos de compra de insumos ou contratação de bens e serviços destinados ao enfrentamento da covid-19.

Tramitação

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O PL 1485/20 foi proposto pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP) ainda em abril — nas primeiras semanas de combate à crise sanitária no país. A deputada Greyce Elias (Avante-MG) foi relatora da proposta e fez alterações no texto votado nesta terça-feira (1º/9).

O endurecimento das penas ocorre ao mesmo tempo que a Polícia Federal e o Ministério Público investigam denúncias de fraudes envolvendo verbas destinadas ao combate à covid-19 em todas as unidades federativas. Segundo os levantamentos, o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 4 bilhões.

Para citar três exemplos recentes: o Rio de Janeiro enfrenta o afastamento do governador Wilson Witzel (PSC), acusado de receber propinas em troca de favorecer Organizações Sociais da área da saúde; no Distrito Federal, o secretário de Saúde, Francisco Araújo, foi afastado do cargo e preso por suspeita de fraude na compra de testes rápidos para detectar o novo coronavírus; e o prefeito de Porto Alegre (RS), Nelson Marchezan Junior (PSDB), enfrenta um processo de impeachment por retirar dinheiro do Fundo de Saúde para usar em ações de publicidade.

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Sem adiamento

Antes da votação final, um requerimento apresentado pelo Partido Liberal, que visava adiar a votação do projeto, foi rejeitado pela maioria dos deputados. A proposta de aumentar a punição recebeu críticas da oposição e dos líderes do Centrão — que declaram que o texto precisaria ser melhor debatido. Ainda assim, o texto foi aprovado por ampla maioria.

“O Brasil não aceita mais corrupção. Nós vimos tantos movimentos de rua, nós vimos tantas pessoas pedindo 'chega, basta, ninguém aguenta mais'. E quem tira dinheiro da saúde está tirando vidas”, enfatizou a autora da proposta no momento da análise em Plenário.

Fonte: Correio Braziliense 



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