|
|
|
“A rotina como mãe atípica não difere de uma mãe. A gente ama, brinca, se diverte, mas as dificuldades de manter o apoio à criança ou adolescente é um pouco diferente”, disse Elissandra, mãe de três filhas.
Depois de descobrir o diagnóstico, mulheres que vivem a maternidade atípica enfrentam muitas vezes uma dura jornada entre o filho que acabou de chegar, a família e a própria vida, essas mulheres por vezes se sentem abandonadas.
Em Rondônia, existe uma lei que visa chamar a atenção para a maternidade atípica e seus desafios.
“Ainda assim, faltam leis que amparem de fato a mãe atípica, por exemplo, sobre a jornada de trabalho. Em Rondônia alguns municípios não possuem leis para servidoras públicas que são mães atípicas. Já no âmbito estadual, existe um artigo, que traz esse amparo às mulheres”, disse Flávia Albaine, defensora pública.
Direito de trabalhar de casa para cuidar de filha com paralisia cerebral

“Sinto muito orgulho de lutar pelos direitos da minha filha e poder abrir precedente para outras tantas famílias que passam pelas mesmas situações e que não sabem que podem”, disse a bancária, Melissa Willers Vidigal, mãe da pequena Mariah Willers Vidigal, diagnosticada com paralisia cerebral.
Melissa é bancária, teve que se readaptar após o nascimento da filha em julho de 2019, antes da pandemia do novo Coronavírus. Antes de tudo, Mariah Willers Vidigal nasceu prematura e foi diagnosticada com hemorragia intracraniana e hidrocefalia, além de ter sofrido paradas cardiorrespiratórias.
Devido às complicações ela precisou ficar internada durante os nove primeiros meses de vida em UTI neonatal. Ela também foi diagnosticada com paralisia cerebral, atualmente denominada “encefalopatia crônica não evolutiva”.
O tempo passou e a pequena Mariah recebeu alta após o quadro de saúde apresentar significativa melhora. Nesse meio tempo, a crise sanitária da Covid-19 se espalhou pelo Brasil. E por conta disso a Caixa Econômica Federal adotou a modalidade de trabalho remota.
Atualmente, os servidores voltaram ao trabalho presencial. E a Melissa foi convocada em 28 de janeiro de 2021 a retornar às atividades presenciais na agência. No entanto, como a filha faz parte do público de risco e necessita de cuidados especiais, Melissa precisou recorrer ao judiciário.
Desistir? Jamais
“Desistir não é uma realidade pra mim, eu e meu esposo buscaremos sempre os direitos dela. Mesmo aqueles que ainda não estão bem estabelecidos, aqueles que muitos não ouviram, seja no trabalho, num atendimento hospitalar ou ambulatorial, no plano de saúde, na vaga de pcd”, disse.
Melissa conta que trabalhar e ao mesmo tempo cuidar da pequena Mariah foi o que a motivou a lutar pelo direito de realizar as atividades profissionais de forma remota.
“Acredito que toda “mãe atípica” deseja poder suprir sim as necessidades financeiras e emocionais de um filho ou filha atípico. O trabalho remoto proporciona essa integração.
Seja nas intercorrências que acontecem, seja nas várias terapias que eles passam todos os dias, seja nos momentos que se sentem frágeis e com medo. São crianças, com limitações, que necessitam mais ainda de acompanhamento familiar”, disse.

(diariodaamazonia)
