Anúncio foi feito pelo presidente em Tóquio, um dia depois de Eduardo Bolsonaro dizer que desistia de indicação ao posto
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TÓQUIO — O presidente Jair Bolsonaro confirmou a indicação do diplomata Nestor Forster como próximo embaixador do Brasil em Washington. Ele acredita que não haverá dificuldades para aprovação do nome no Senado. O anúncio veio um dia depois de o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro , desistir da indicação para o cargo.
— É um quadro exemplar, uma pessoa ativa, tem tudo para dar certo — disse o presidente nesta quinta-feira pela manhã em Tóquio (noite de quarta no Brasil), antes de partir em direção de Pequim.
O pedido de '' agrément '' será feito rapidamente. Faltava ainda, segundo o presidente, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, grande amigo de Foster, falar com o futuro embaixador nos EUA.
— Dificilmente alguém vai recusar uma honrosa missão em Washington — disse Bolsonaro.
Os anúncios da desistência de Eduardo e do nome de Forster encerram meses de campanha em torno do nome do deputado. Desde que o presidente disse pela primeira vez, em julho, que pretendia indicar o filho, Eduardo percorreu gabinetes de senadores em busca de apoio. Mas seu nome enfrentou a resistência de parlamentares e discussões sobre nepotismo .
Na noite de terça, Eduardo Bolsonaro anunciou sua decisão em discurso na Câmara:
— (Tenho) portas abertas para quem sabe no futuro... Podem ter certeza que não foi decisão fácil. Mas eu conto com o apoio dos amigos — disse.
No mesmo dia, em Tóquio, o presidente declarou que "Forster é um bom nome para ser consolidado". E, nesta quarta, Eduardo manifestou seu apoio ao diplomata.
Gaúcho serviu por 3 vezes nos EUA
O gaúcho Forster, de 56 anos, foi promovido a ministro de primeira classe em junho último. Ele responde pela embaixada como encarregado de negócios desde abril deste ano, quando o diplomata Sergio Amaral deixou a função de embaixador. Além de ter servido por três vezes nos Estados Unidos, ele já ocupou postos nas embaixadas no Canadá e na Costa Rica.
Em rodas especulativas, consta que chegou a disputar o cargo com o cientista político Murilo Aragão. Ganhou a preferência do presidente da República, mas acabou deixado de lado quando, há cerca de dois meses, a Casa Branca concedeu o agrément (autorização formal) para que Eduardo Bolsonaro representasse o Brasil nos EUA.
O diplomata é tido como um dos "olavetes", dada sua proximidade com o guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho . Ele apresentou o atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo , a Olavo de Carvalho, e este acabou apadrinhando Araújo na pasta das Relações Exteriores.
Ele tem fortes ligações com o conservadorismo americano e foi responsável por articular uma palestra de Araújo na Heritage Foundation, um templo da direita nos EUA, durante a visita do chanceler a Washington em setembro. Ao mesmo tempo, tem o cuidado de não circular apenas em meios conservadores. Prova disso é que quando a crise ambiental na Amazônia começou, em agosto, foi a diversos gabinetes do Congresso americano, inclusive da oposição a Donald Trump, defender o Brasil.
Conversa com Charles
A Amazônia voltou a ser um tema na viagem de Bolsonaro à Ásia. Na noite desta quarta-feira, no banquete oferecido pelo primeiro-ministro Shinzo Abe às delegações que vieram para a entronização do imperador Naruhito , Bolsonaro conversou por cerca de 30 minutos com o príncipe Charles , do Reino Unido.
— Falei que quero desenvolver a Amazônia, e ele não respondeu — contou.
Também conversaram sobre o Brexit , o processo de saída do Reino Unido da União Europeia. Perguntado sobre a opinião do príncipe, Bolsonaro desconversou.
Mais uma vez Bolsonaro quase não comeu no banquete , por não gostar da comida, incluindo barbatana de tubarão, prato muito apreciado pelos japoneses. Contou que saiu duas vezes para refeições em Tóquio, a primeira para comer hambúrguer e a outra para comer um filé. Reclamou que a refeição custou US$ 30 e disse que não pagou com cartão corporativo, pelo qual diz poder sacar até R$ 24 mil por mês.
— Mas desde janeiro ele está zerado — disse.
Fonte: O Globo
